Baseado em Vencendo o TDAH Adulto, Barkley mostra que o TDAH é majoritariamente genético.
Estudos com gêmeos e famílias indicam que, se um filho tem TDAH, 1 em cada 3 irmãos também tem; além disso, 55% dos pais de crianças com TDAH também são afetados (UCLA).
A herança genética explica 75–80% da gravidade do transtorno — mais do que em quadros como ansiedade ou até mesmo características físicas como altura.
Mais de 12 genes já foram identificados associados ao TDAH; quanto maior o número de variantes relacionadas, maior tende a ser a gravidade do quadro.
Casos mais raros podem estar associados a fatores como exposição pré-natal ao álcool, exposição ao chumbo ou traumatismo cranioencefálico (TCE).
Diferenças no cérebro
Estudos de neuroimagem mostram que algumas regiões do cérebro costumam apresentar diferenças estruturais e funcionais em pessoas com TDAH.
Entre elas:
- Lóbulos frontais
- Gânglios basais
- Cerebelo
- Cingulado anterior
Essas regiões podem ser cerca de 3–5% menores e apresentar menor nível de ativação.
Também são descritos:
- Reação mais lenta a estímulos
- Redução do fluxo sanguíneo no lobo frontal direito, o que se correlaciona com sintomas do transtorno.
Observação clínica
Como neuropsicóloga (TCC + avaliações clínicas), vejo esse padrão com frequência: adultos que costumam ser descritos como “inteligentes, mas desorganizados”.
O tratamento pode incluir:
- medicação (quando necessária)
- estratégias baseadas em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Se houver suspeita, uma avaliação neuropsicológica pode ajudar a compreender melhor o funcionamento cognitivo e orientar o tratamento.
Referências
- Barkley, R. A. (2021). Vencendo o TDAH Adulto. Guilford Press.
- Estudos da UCLA sobre hereditariedade do TDAH.
- Meta-análises de neuroimagem sobre TDAH.