Muita gente se identificou quando a cantora Ana Castela falou sobre ter “TDAH sem H”.
Na prática, essa expressão popular costuma se referir ao TDAH com apresentação predominantemente desatenta: pessoas que sofrem muito com distração, esquecimento e dificuldade de organização, mas que não são visivelmente hiperativas.
Como esse perfil costuma aparecer
Esse perfil é comum em meninas e mulheres, justamente porque não se manifesta como a criança “elétrica”, que não para quieta.
Em vez disso, essas pessoas costumam ser vistas como:
- “no mundo da lua”
- confusas
- atrasadas
- perdidas nas tarefas
Muitas vezes, acabam sendo taxadas de preguiçosas ou desorganizadas, o que reforça sentimentos de culpa e inadequação.
O que diz a psicologia (e os manuais diagnósticos)
Do ponto de vista técnico, os manuais diagnósticos atuais não utilizam mais os termos “TDA” ou “TDAH sem H”.
O nome correto é:
Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)
E ele pode se apresentar de três formas:
- Predominantemente desatenta
- Predominantemente hiperativa/impulsiva
- Apresentação combinada
O que a pessoa quer dizer com “TDAH sem H”
Quando alguém usa essa expressão, geralmente está dizendo algo como:
“Eu tenho TDAH, mas meu principal desafio não é a agitação — e sim manter o foco, lembrar das coisas e terminar o que começo.”
Esse é um quadro que pode impactar:
- estudos
- trabalho
- organização da vida adulta
- saúde emocional
- relacionamentos
Mesmo sem a hiperatividade clássica, os prejuízos são reais.
Por que esse tipo de TDAH passa despercebido
Por ser mais silencioso, o TDAH predominantemente desatento muitas vezes não é identificado na infância ou adolescência.
É comum que:
- o diagnóstico só aconteça na vida adulta
- as dificuldades aumentem com mais responsabilidades
- surja uma sensação constante de estar atrasado, sobrecarregado ou “travado”
Por que entender isso é importante
Compreender essa diferença ajuda a:
- evitar a banalização do TDAH (como se fosse apenas “ser esquecido”)
- incentivar a busca por uma avaliação adequada
- reduzir culpa e rótulos injustos
Um ponto importante
Se você se identificou com essa descrição, é importante lembrar:
isso não substitui uma avaliação profissional.
Mas pode ser um primeiro passo para olhar para a sua história com mais gentileza e considerar uma investigação diagnóstica com um especialista.
Próximos passos
No próximo conteúdo, vou aprofundar:
- sinais do TDAH predominantemente desatento em adultos
- estratégias que podem ajudar no dia a dia
Se esse texto fez sentido para você, salve e compartilhe com alguém que sempre se achou “distraído demais”, mas nunca considerou o TDAH como possibilidade.