Artigo informativo e diretrizes de cuidado para publicação institucional
23 de setembro de 2026
Meta descrição: Pesquisas recentes relacionam o TDAH a acidentes e ao comportamento suicida. Entenda os números, seus limites e a importância do cuidado.
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Você sabia que motoristas com TDAH sem tratamento têm 93% mais chances de se envolver em acidentes? E que estudos associam o TDAH a maior risco de comportamento suicida? Números como esses assustam — mas o que eles realmente significam para você ou para alguém que você ama?
O que você vai ler neste artigo:
- O que os estudos recentes dizem sobre TDAH, acidentes e comportamento suicida
- Por que esses números não definem o futuro de ninguém
- O que o tratamento pode fazer na prática
- Como cuidar de quem convive com TDAH — e onde buscar ajuda
Quando falamos de TDAH, é comum pensar nas dificuldades de atenção, organização e controle dos impulsos. Mas o cuidado com a pessoa que tem TDAH também envolve segurança, saúde física e saúde mental.
Neste Setembro Amarelo, vale olhar para pesquisas recentes sobre acidentes e comportamento suicida. Os números ajudam a identificar necessidades de cuidado. Eles não definem o futuro de ninguém: cada pessoa tem uma história, condições de saúde e uma rede de apoio próprias.
1. TDAH e acidentes de trânsito: o que significa o aumento de 93%?
Uma revisão publicada em 2026 reuniu quatro estudos sobre motoristas com TDAH diagnosticado e sem tratamento. Na análise conjunta, esse grupo apresentou 93% mais chances de se envolver em acidentes de trânsito (intervalo de confiança de 95%: 88% a 99%) do que os grupos de comparação. Os próprios pesquisadores apontaram diferenças entre os estudos e limitações na análise.
É importante compreender esse percentual: ele não significa que 93% das pessoas com TDAH sofrerão um acidente. Trata-se de uma comparação entre grupos estudados. Também não permite avaliar, sozinho, a capacidade de dirigir de uma pessoa.
Para quem percebe desatenção frequente ou impulsividade ao volante, o caminho é conversar sobre essas dificuldades durante o acompanhamento profissional. Sono, uso de álcool e outras condições de saúde também merecem atenção quando se fala em segurança no trânsito.
2. E quanto ao risco de suicídio?
Uma revisão publicada em 2025 examinou estudos que acompanharam crianças e adolescentes. Na análise, os jovens com TDAH apresentaram chances aproximadamente 3,3 vezes maiores de tentativa de suicídio e 3,9 vezes maiores de morte por suicídio em comparação com os grupos sem TDAH.
Esses resultados se referem à população jovem estudada; não devem ser aplicados diretamente a adultos nem usados para prever o risco de uma pessoa específica.
Na prática clínica e na convivência diária, a mensagem mais útil é prestar atenção ao sofrimento. Falas sobre desesperança, isolamento ou desejo de morrer precisam ser acolhidas e avaliadas com seriedade. O diagnóstico de TDAH não substitui uma avaliação individual de saúde mental.
Atenção: Se você ou alguém que você conhece está em crise, ligue para o CVV — 188 (gratuito, 24 horas). Em risco imediato, procure um serviço de urgência.
3. O cuidado pode fazer diferença?
Pesquisas também mostram associações entre tratamento e resultados de saúde. Em um estudo sueco publicado em 2024, que acompanhou 148.578 pessoas diagnosticadas com TDAH, o grupo que iniciou tratamento medicamentoso apresentou 39,1 mortes por 10 mil pessoas em dois anos, diante de 48,1 por 10 mil no grupo que não iniciou a medicação — uma redução de cerca de 21% na mortalidade por todas as causas (HR 0,79).
Como se trata de um estudo observacional, essa diferença não prova que o medicamento, por si só, tenha evitado as mortes.
Outro estudo, publicado em 2025 no The BMJ, encontrou associação entre o início do tratamento medicamentoso e menores taxas de comportamento suicida, uso de substâncias, acidentes de transporte e criminalidade.
A escolha de um tratamento, porém, é uma decisão médica, que precisa considerar a avaliação e as necessidades de cada pessoa. A psicoterapia — especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) — e a psicoeducação são complementos baseados em evidências que ajudam a desenvolver estratégias para o dia a dia, melhorar a autoestima e fortalecer os vínculos.
4. O que fazer na prática
- Converse com um profissional sobre suas dificuldades — desatenção ao volante, impulsividade, esquecimentos frequentes.
- Avalie fatores que afetam a segurança: qualidade do sono, uso de álcool e outras condições de saúde.
- Preste atenção ao sofrimento emocional — o seu e o de quem está perto. Desesperança e isolamento merecem acolhimento.
- Busque avaliação e acompanhamento adequados: a avaliação neuropsicológica ajuda a entender o funcionamento do seu cérebro e a orientar o tratamento certo.
- Em crise, ligue 188 (CVV) ou procure um serviço de urgência.
5. Perguntas frequentes
TDAH aumenta o risco de acidentes de trânsito?
Resposta: Estudos mostram que motoristas com TDAH sem tratamento têm cerca de 93% mais chances de se envolver em acidentes em comparação com grupos de comparação. Isso não significa que a pessoa vai sofrer um acidente — é um dado de grupo que reforça a importância do acompanhamento.
TDAH está associado a comportamento suicida?
Resposta: Pesquisas com crianças e adolescentes indicam risco cerca de 3,3 vezes maior de tentativa de suicídio e 3,9 vezes maior de morte por suicídio. Esses dados reforçam a importância de acolher o sofrimento e buscar avaliação individual.
Tratamento para TDAH reduz esses riscos?
Resposta: Estudos observacionais associam o início do tratamento medicamentoso a menores taxas de mortalidade, comportamento suicida e acidentes. A decisão é médica; a TCC e a psicoeducação complementam o cuidado.
6. Falar sobre riscos é também falar sobre possibilidades de cuidado
Os estudos não dizem que viver com TDAH significa viver em perigo. Eles mostram por que é importante reconhecer dificuldades, investigar condições associadas e garantir acesso a acompanhamento adequado.
No Setembro Amarelo, essa conversa pode começar com uma pergunta simples e atenta: “Como você tem se sentido?” Escutar sem julgamento e ajudar alguém a procurar apoio são atitudes valiosas.
Se você está em sofrimento ou precisa conversar, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Diante de risco imediato, procure um serviço de urgência.
Se você (ou alguém próximo) convive com esquecimentos, impulsividade ou sofrimento emocional, o primeiro passo é entender o funcionamento do seu cérebro. Na Neurosemente, a avaliação neuropsicológica e a TCC caminham juntas para transformar o diagnóstico em cuidado. Agende sua avaliação.
Dra. Doraci Silva
Psicóloga especialista em Neuropsicologia e TCC, instrutora de Mindfulness
Neurosemente — São Paulo, Mooca | Atendimento presencial e online
Referências dos estudos
Para atender à orientação de diminuir a “dobra”, deixei as referências em formato mais compacto, sem aquele grande espaço entre uma e outra:
Childress A, Malik H, Potenziano J. The Impact of Untreated Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder on Motor Vehicle Accidents: A Systematic Review and Meta-Analysis. Advances in Therapy, 2026.
Garas P e colaboradores. Longitudinal Suicide Risk in Children and Adolescents With Attention Deficit and Hyperactivity Disorder: A Systematic Review and Meta-Analysis. Brain and Behavior, 2025.
Li L e colaboradores. ADHD Pharmacotherapy and Mortality in Individuals With ADHD. JAMA, 2024.
Zhang L e colaboradores. ADHD drug treatment and risk of suicidal behaviours, substance misuse, accidental injuries, transport accidents, and criminality. The BMJ, 2025.